Cresce o número de motoristas por aplicativo — e taxistas se reinventam

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O que antes parecia uma tendência passageira tornou-se um novo modelo de trabalho consolidado: o transporte por aplicativo. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas que atuam em plataformas digitais cresceu 25% entre 2022 e 2024, alcançando 1,7 milhão de trabalhadores em todo o Brasil.

No entanto, enquanto motoristas e entregadores impulsionam esse movimento, os taxistas também seguem firmes na estrada, adaptando-se às mudanças e encontrando novas formas de competir — especialmente por meio das cooperativas de táxi, que se mostram essenciais para manter a categoria forte, legalizada e reconhecida.

Rio de Janeiro: aplicativos em alta e o táxi se reinventando

No Estado do Rio de Janeiro, onde a taxa de desocupação chegou a 10,3% no primeiro trimestre de 2024, o trabalho por aplicativo tornou-se alternativa para muitos que buscam flexibilidade e renda rápida. Hoje, estima-se que mais de 120 mil motoristas atuem com transporte individual por aplicativo na Região Metropolitana, sendo cerca de 70% de forma exclusiva.

Mas nas mesmas ruas em que os carros de aplicativo circulam, os táxis continuam presentes e em evolução. As cooperativas de táxi do Rio — como a Cooperativa Grafitti Táxi and Tours, a Cooperativa Transcoopass, entre outras — têm apostado em tecnologia, atendimento diferenciado e serviços turísticos para competir de forma sustentável.

Essas organizações oferecem aos profissionais vantagens reais:

  • Segurança jurídica e registro formal da atividade;
  • Acesso a benefícios coletivos, como planos de saúde e manutenção veicular;
  • Gestão compartilhada de custos e ganhos, o que reduz despesas operacionais;
  • Treinamento constante e padronização de atendimento, que reforçam a imagem do táxi como um serviço profissional e confiável.

Como resume o jornalista Claudio R. Rangel, especialista em mobilidade urbana:

“Enquanto os aplicativos cresceram em volume, o cooperativismo manteve o valor da confiança. O táxi cooperado representa o elo entre tradição e modernidade — é o motorista profissional adaptado ao novo tempo digital.”

O perfil dos trabalhadores por aplicativo

De acordo com a Pnad Contínua, o novo retrato do transporte urbano é predominantemente masculino: 83,9% são homens, e quase metade (47,3%) tem entre 25 e 39 anos. Mais da metade atua na Região Sudeste, com destaque para o Rio e São Paulo.

O IBGE também mostra que 71,1% dos trabalhadores por aplicativo estão na informalidade, sem vínculo empregatício nem contribuição regular à Previdência. Em contrapartida, nas cooperativas de táxi, o profissional trabalha legalizado, contribuindo com o sistema e com respaldo jurídico.

Enquanto motoristas de aplicativo têm rendimento médio nacional de R$ 2.996 e jornada semanal de 44,8 horas, o trabalhador formalizado ou cooperado tende a ter remuneração mais estável e melhor previsibilidade de ganhos, além de maior segurança no exercício da profissão.

Um cenário de coexistência e desafios

No trânsito carioca, o que se observa é convivência e não exclusão. Os aplicativos conquistaram o público pela facilidade digital, enquanto os táxis — especialmente os cooperados — se destacam por sua profissionalização, segurança e credibilidade.

Além disso, muitos passageiros continuam preferindo o táxi por aceitar pagamento corporativo, emitir nota fiscal, operar com tarifas regulamentadas e permitir rastreamento seguro da viagem. As cooperativas também investem em aplicativos próprios, frota monitorada e atendimento multilíngue para turistas, ampliando sua presença em eventos, aeroportos e pontos estratégicos da cidade.

Para o motorista, isso representa mais que uma escolha de aplicativo — é uma decisão de modelo de trabalho:

  • De um lado, a liberdade individual e a flexibilidade dos apps.
  • De outro, o amparo institucional, o respaldo legal e o cooperativismo que fortalece a categoria.

O futuro do transporte urbano

O crescimento dos aplicativos é um caminho sem volta. Mas o fortalecimento das cooperativas de táxi mostra que há espaço para um modelo ético, sustentável e profissional de mobilidade. No Rio de Janeiro, onde o turismo, os eventos e a circulação urbana são intensos, a coexistência entre aplicativos e táxis tende a gerar um ecossistema mais diverso e competitivo.

Com a discussão do marco regulatório do trabalho por aplicativo em andamento no país, abre-se uma nova oportunidade para equilibrar os direitos e deveres de motoristas de todas as categorias — sejam eles autônomos, assalariados ou cooperados.

“O táxi cooperativo é mais que um meio de transporte — é uma marca de confiança construída ao longo das décadas”, ressalta Rangel. “Enquanto as plataformas digitais definem tarifas por algoritmo, as cooperativas definem valores por princípios.”

O Brasil vive uma transformação silenciosa nas ruas. São 1,7 milhão de pessoas que agora trabalham via plataformas digitais — e milhares de taxistas que continuam, firmes, adaptando-se com profissionalismo e espírito cooperativo.

O trabalho mudou, mas a essência do transporte humano — o compromisso com o passageiro — continua a mesma.

No fim das contas, o volante pode ser o mesmo; o que muda é o caminho que cada motorista escolhe trilhar.


Fontes: IBGE / Pnad Contínua / Agência Brasil / Cooperativas de Táxi do Rio de Janeiro
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