Depois de 42 anos de profissão, o taxista permissionário Ronaldo Vasconcellos define a categoria como um “organismo vivo”: em constante movimento, sempre se atualizando e, segundo ele, permanentemente em luta, pela legalidade, pela moralidade e pela excelência no serviço prestado à cidade. E por carros novos.
Amparado pela Lei 12.468, que regulamenta a profissão de taxista no país, Vasconcellos vê com bons olhos as recentes mudanças nas regras de troca de veículo, mas é enfático ao apontar o principal obstáculo enfrentado hoje pela categoria: o acesso a crédito.
“A gente precisa ter o nosso espaço, o nosso tempo, porque no táxi nunca houve tempo de vida útil”, afirma o taxista, referindo-se à exigência de renovação constante da frota sem que existam, na mesma proporção, condições financeiras que viabilizem a troca.
Financiamento como principal entrave
Rodando atualmente com um carro modelo 2017/2018, Vasconcellos afirma que gostaria de trocar de veículo, mas esbarra em juros altos e exigências de crédito que nem sempre são compatíveis com a realidade da categoria. “Hoje está muito difícil, os juros estão muito altos, as condições estão muito complicadas”, resume.
Para ele, a dificuldade de acesso a financiamento tem produzido um efeito colateral preocupante: taxistas com anos de dedicação à profissão sendo obrigados a abrir mão de suas autorizações, tornando-se auxiliares de investidores que têm capital disponível para renovar veículos com mais agilidade.
“São milhares de colegas nessa situação”, diz o taxista, ao descrever uma categoria que considera “envelhecida” e pouco assistida pelos órgãos reguladores. Na avaliação dele, falta às instituições que organizam e fiscalizam o setor uma atuação mais efetiva para proteger o que chama de “uma profissão centenária”.
Profissionalismo como diferencial
Apesar das dificuldades, Vasconcellos defende que o taxista se diferencia por conhecer a cidade, o trabalho e as responsabilidades da profissão — em contraste com o que chama de “aventureiros” que utilizam veículos particulares para atividades de transporte sem a mesma formação ou compromisso.
“O taxista, dali ele leva o sustento para a família, a formação dos filhos, a sua vida toda, ele está ali dedicado”, afirma, ao relatar que permanece na atividade há mais de quatro décadas por amor à profissão.
Para o futuro, o taxista defende maior investimento em formação profissional como caminho para elevar a qualidade do serviço oferecido à população. “Não adianta você ter um táxi lindo, uma Ferrari, uma Porsche, um carro lindo e ninguém andar”, conclui, defendendo que a excelência do serviço vai além do veículo e passa pela qualificação de quem está ao volante.




